Assembleia adia negociações salariais para abril de 2021

Rodoviários de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, decidiram, em assembleia nesta sexta-feira (6/11), por 290 votos a 40, adiar para abril de 2021 as negociações salariais com as empresas, em consequência da grave crise do setor, causada pela pandemia do Covid-19, que provocou este ano uma onda de demissões sem precedentes na história da categoria. De março até agora, mais de 3,5 mil rodoviários perderam seus postos de trabalho na base sindical do SINTRONAC.

A atual Convenção Coletiva ficará mantida até as negociações de abril, com todos seus benefícios, que inclui cesta básica e o não desconto dos 6% no vale transporte, entre outros. A Data-Base também não será alterada.

Assembleia aprovou adiamento das negociações para a recuperação econômica do setor

Sobre as demissões, o SINTRONAC conseguiu que todos os rodoviários estejam sendo indenizados conforme a legislação trabalhista, inclusive com a multa prevista pela Lei 14.020 para as empresas que aderiram ao Benefício Social do Governo Federal, paga aos funcionários que tiveram seus contratos rescindidos. Há ainda a promessa de recontratação assim que a economia for retomada em sua plenitude e as empresas de ônibus começarem a normalizar seu funcionamento.

O advogado do SINTRONAC, Darlan Oliveira, leu, durante a assembleia, ofício encaminhado pelo sindicato das empresas (Setrerj), que relata o impacto da pandemia nas finanças das viações. Segundo o documento, a arrecadação de março a setembro apresentou queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso em um setor que, de 2014 a 2019, já registrava retração de 25% em seu faturamento.

As medidas adotadas pelos governos de distanciamento social e restrição de circulação para lazer, somadas à suspensão das aulas, são as maiores responsáveis pela drástica redução nas contas das empresas de ônibus. Também contribui para a situação crítica do transporte público o trabalho através de “home office”, instituído em quase todos escritórios e empresas durante a pandemia.

“Precisamos manter nossa mobilização para que os trabalhadores não sofram mais ainda com essa crise. O setor rodoviário não tem recebido apoio de nenhum governo e temos que enfrentar esse problema com seriedade e determinação”, afirma o presidente do SINTRONAC, Rubens dos Santos Oliveira.

Em abril, serão apresentadas aos patrões as seguintes propostas: aumento de 4%; cesta básica de R$ 320,00; cofres em todos os pontos finais; manutenção das cláusulas da atual Convenção Coletiva; e 2% de comissão para motoristas que exercem a dupla função.