Falta de vacinação e ‘lockdown’ econômico ameaçam rodoviários

Rubens dos Santos Oliveira

(Presidente do Sintronac)

Três meses após a categoria rodoviária ter sido incluída no Plano Nacional de Vacinação como grupo prioritário para imunização contra o Covid-19 e dois meses após o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) reivindicar a implementação da medida junto a prefeituras e ao Governo do Estado, nada foi feito para que motoristas e demais profissionais do setor sejam contemplados com as vacinas.

Chegamos, agora, ao momento mais dramático da pandemia no País, com a assustadora média de mais de 3 mil mortes diárias. Municípios, à revelia – e, certamente, em salutar rebeldia – dos governos centrais, começam a adotar medidas restritivas mais rígidas de circulação para a população, inclusive com o fechamento, em “lockdown”, de estabelecimentos considerados não essenciais, como é o caso recente de Niterói e Rio de Janeiro.

Para os rodoviários, contudo, a ausência de uma política de vacinação da categoria e o gargalo no deslocamento de pessoas, tanto para atividades econômicas e educacionais, quanto para as de lazer, significa apenas: o risco de infecção e morte dos profissionais continua alto; a ameaça de desemprego cresce; e a volta do revezamento, com cortes nos salários, será um recurso defendido pelas empresas de ônibus.

Hoje, não temos mais o Benefício Social (BEm), que garantia aos rodoviários, escalados, ano passado, para trabalharem em revezamento, a composição de seus salários. O Governo Federal suspendeu o benefício em dezembro e insiste em não reeditar a medida, que poderia garantir empregos e por comida na mesa dos trabalhadores.

O que a população tem conhecimento sobre a pandemia pelas estatísticas fornecidas pela imprensa, nós, rodoviários, sabemos em nosso cotidiano. Somos nós que percebemos o súbito aumento do fluxo das ambulâncias, em velocidade e quantidade desesperadas, nas ruas das cidades; somos nós que transportamos os contaminados pela doença das classes mais baixas da sociedade; somos nós que convivemos com passageiros, que insistem, por opção política ou simples ignorância, não usar equipamentos básicos de proteção, como as máscaras e o álcool em gel. Se o povo sofre com a superlotação dos ônibus, imagine um motorista, que dirige 12 km e transporta, em média, 300 passageiros em um turno de serviço.

Também perdemos companheiros para o coronavírus: até o início de março, de acordo com informações, que chegaram até o Sintronac, pelo menos 42 rodoviários morreram infectados nos 13 municípios, integrantes da base territorial do sindicato.

Ao mesmo tempo, assistimos ao colapso lento e sufocante das empresas de ônibus no estado, substituídas pelas vans e demais transportes piratas de forma sorrateira, amparados por uma negligente e conveniente omissão do poder público.

O Sintronac reiterou, esta semana, aos governos Federal, Estadual e municipais, mais uma vez, a necessidade da adoção de medidas urgentes para a vacinação da categoria e para a implementação de medidas de amparo econômico para os trabalhadores. Em nenhum momento, por mais grave que ele seja, faltamos com nosso compromisso com a sociedade. Esperamos, portanto, ser tratados de forma recíproca.