Mensagem do Presidente do SINTRONAC pelo Dia do Rodoviário

Por Rubens dos Santos Oliveira

(Presidente do SINTRONAC)

Companheiros e companheiras, chegamos a mais um 25 de Julho, Dia do Rodoviário, nosso dia. Este ano não teremos nossa tradicional festa, que celebra essa data tão importante para a categoria. Mas podemos, em nossos corações e mentes, fazer uma reflexão sobre tudo o que está acontecendo com nosso setor profissional e com nosso País.

Vivemos uma pandemia, que já matou, até agora, mais de 84 mil brasileiros. Perdemos para o Covid-19 muitos companheiros em nossa base e muitos mais País afora. Em nome deles precisamos erguer a cabeça e continuar em frente na luta pela causa rodoviária, pois todos, como cidadãos e como profissionais de um setor essencial para a nação, somos vítimas de um genocídio.

Há várias maneiras de se subjugar um povo e uma das mais cruéis delas é a destruição metódica e feroz de suas organizações sociais e de suas instituições consagradas pelo Estado Democrático de Direito. Pois é isso que vem acontecendo com as entidades sindicais no Brasil. Ao longo dos últimos anos, as elites econômicas do País têm minado a estrutura sindical dos trabalhadores com o único objetivo de impedir a reação popular ao seu projeto de poder.

No entanto, essas elites não contavam que a pandemia, em escala global, iria mostrar toda a perversidade com que o povo foi tratado durante décadas. A destruição da saúde pública; o desamparo dos trabalhadores, verdadeiros motores da nação; uma economia frágil construída sobre castelos de areia; a educação em frangalhos; a corrupção devastadora; tudo isso ficou evidenciado com o coronavírus.

Ao mesmo tempo, a importância dos sindicatos também se revelou e, graças às poucas entidades que ainda têm condições de amparar seus associados e suas categorias, o impacto da doença nas classes trabalhadoras foi minimizado.

No caso do Sintronac, ainda em março, quando o número de contágio ainda era pequeno no País, começamos uma campanha de informação da categoria e a distribuição de EPIs nos terminais rodoviários. Ao mesmo tempo, iniciamos a cobrança de medidas de segurança para os rodoviários junto às empresas e governos. Em seguida, negociamos a manutenção dos empregos e a inclusão dos companheiros e companheiras nos programas de apoio dos governos, de modo a garantir-lhes uma renda mínima para que pudessem passar pelos momentos mais difíceis da pandemia garantindo o sustento de suas famílias.

Mantivemos, através de nosso Departamento Jurídico, um canal de denúncias para que os trabalhadores pudessem acionar o Sindicato em caso de violações das normas trabalhistas, dos acordos efetuados com as empresas e ainda quando alguns governos queriam impor aos rodoviários a obrigatoriedade da fiscalização do uso dos EPIs pelos passageiros. Fizemos várias denúncias na imprensa avisando que não aceitaríamos essa prática, que terminou sendo eliminada ao menos em nossa base.

Pensando nos 1.420 companheiros e companheiras, que têm tratamento permanente no nosso Departamento Médico, reativamos o mais rápido possível esse setor, evitando assim que eles passassem a depender da saúde pública, que não está dando conta do atendimento à população.

Sabemos que nossas ações salvaram centenas de vidas rodoviárias, isso é inegável. Mas sabemos também que precisamos avançar mais em nossa postura para o enfrentamento a uma realidade, que se tornará cada vez mais difícil. Aqueles que, hoje, estão no poder não têm misericórdia para com o povo, não estão interessados nas causas sociais. Querem apenas, a qualquer custo, drenar os recursos nacionais para seu proveito. Caberá a nós, trabalhadores unidos, erguer um muro para frear essa onda devastadora que nos atingiu.

Companheiros e companheiras rodoviários, estamos juntos na luta. Mesmo nas horas sombrias, todos encontrarão aqui, no seu Sindicato, luz, esperança e segurança para continuar de pé e seguir adiante. Nossas mais sinceras saudações rodoviárias. Temos orgulho de ser rodoviários.