Mensagem do presidente pelo Dia do Trabalhador: ‘Saudades do 1º de Maio’

Por Rubens dos Santos Oliveira (Presidente do SINTRONAC)

 

O 1º de Maio de 2020 deveria ser um dia muito especial para os brasileiros. Nesta data, há 80 anos, o presidente Getúlio Vargas assinava a criação do salário mínimo no País. Nascia assim uma base para a adequação do ordenado do povo às suas necessidades, pois o valor determinado pelo velho governante para a remuneração deveria corresponder às despesas do trabalhador e de sua família com “alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte”, segundo o texto do decreto.

Nós, rodoviários, sabemos como é importante termos uma tabela salarial para que as empresas cumpram com o que é firmado nos acordos coletivos e podermos planejar como iremos administrar nossa casa. Na base do SINTRONAC, felizmente, ainda não tivemos perdas salariais substanciais, mesmo com a grave crise econômica, que se instalou no Brasil e se agravou com os governos Temer e Bolsonaro. Portanto, nosso piso é sólido, embora ainda esteja longe de ser o ideal para uma categoria tão importante para a sociedade e tão especializada em suas funções profissionais.

Mas o Dia do Trabalhador esse ano será especialmente triste para todos nós. Um grande mal nos atinge como seres humanos, agravado pelos atos inconsequentes de homens que simplesmente não sabem governar uma nação; que não têm o espírito de liderança tão necessário para responder à altura essa grave crise de saúde pública, provocada pelo coronavírus (Covid-19). Por causa deles o povo sofre, mas seus nomes estarão para sempre marcados pela vergonha nos livros de História.

Portanto, nesse 1º de Maio, por conta das medidas de isolamento social, não teremos nossa tradicional festa em nossa sede social do Sapê. Há pelo menos um mês nossas seis unidades estão fechadas para preservar a saúde de nossos companheiros, funcionários e colaboradores. Apenas a base administrativa de Niterói conta com um plantão jurídico para casos excepcionais. Dói ver nossas sedes vazias, sem aquela maravilhosa balbúrdia cotidiana. O falatório do Departamento de Aposentados, o murmurinho na Secretaria, as discussões intermináveis nos corredores, que se estendia para a rua e deixava as pessoas espantadas.

Sim, somos rodoviários, falamos muito e alto, pois somos orgulhosos e seguros quanto à profissão que escolhemos. Tudo que dizemos é com propriedade, pois ninguém conhece melhor nosso setor do que nós mesmos. Brigamos entre nós, fazemos piadas, mas coitado de quem for “de fora” e resolver ofender um rodoviário: todos nos unimos imediatamente contra essa pessoa.

Também – e certamente por sermos rodoviários – gostamos de celebrar a vida, de nos reunir com amigo e familiares, das grandes festas. Mas esse não um momento para isso. Precisamos ser conscientes para entender que a saúde coletiva deve ser protegida.

O certo é que essa crise passará. Homenagearemos aqueles que nos deixaram e brindaremos aos que Deus permitirá que prossigam ao nosso lado na luta por dias melhores para a categoria. Sairemos disso tudo mais fortes e com a certeza de que, juntos, temos uma força imbatível.

Que Deus proteja a todos nós, trabalhadores, e que esse 1º de Maio represente uma virada do mundo contra essa doença maldita e contra os maus governantes.