Rodoviários e patrões se reúnem quinta-feira em audiência virtual do MPT

O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) encaminhará, nesta quarta-feira (19/8), ao Ministério Público do Trabalho (MPT), a rejeição da categoria à proposta patronal de corte de 50% nos salários e de 57% na cesta básica, posição definida em uma série de oito assembleias realizadas na sede social da entidade classista, em Niterói. Na quinta-feira (20/8), haverá audiência virtual de conciliação, mediada pelo MPT. Caso permaneça o impasse, há a possibilidade de greve dos ônibus, que atingirá os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá.

Assembleia de terça-feira seguiu a decisão da categoria

O comunicado ao órgão mediador será encaminhado imediatamente após a última assembleia da categoria, nesta quarta, logo após às 16h, que reunirá trabalhadores da empresa Auto Ônibus Asa Branca Gonçalense. Nesta terça-feira (18/8), votaram os rodoviários das empresas Rio Ouro e Maravilha Auto Ônibus. O resultado total de sete assembleias é de 1.782 contra a proposta patronal, 175 a favor e dez abstenções. Desde o início da semana, não havia mais como reverter o quadro de rejeição da categoria aos cortes nos salários e nos benefícios.

O impasse entre rodoviários e patrões é fruto da crise no setor de transportes, acentuada com a pandemia do coronavírus. Pelo menos 2 mil trabalhadores foram demitidos na área de atuação do Sintronac e, desde 31 de julho, a categoria não recebe mais o auxílio emergencial do Governo Federal, que compunha 70% dos salários.

“Esperamos que os empresários voltem atrás em sua proposta, pois a categoria está determinada na manutenção do Acordo Coletivo vigente com todas as suas cláusulas”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

Rubens: “Categoria está determinada em não perder seus direitos”

A proposta patronal atual é de pagamento de 50% dos salários e redução no valor da cesta básica, que passaria de R$ 280 para R$ 120. Os rodoviários querem a manutenção do Acordo Coletivo, que vigora até 1º de novembro, com salário, férias e 13º integrais, além de todos os benefícios e estabilidade no emprego por três meses.