Sintronac exige manutenção das linhas intermunicipais no Centro do Rio

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (SINTRONAC) enviou ofício à Prefeitura do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (18/02), solicitando que seja mantida a circulação dos ônibus intermunicipais no Centro da capital. A interrupção do trânsito dos coletivos provocará a demissão, em um primeiro momento, de pelo menos 1,2 mil rodoviários de 35 linhas, além de afetar uma média diária de 204 mil passageiros.

Atualmente, 525 veículos, que partem de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, circulam no Centro do Rio de Janeiro. Alguns rodoviários poderão ser absorvidos em outras linhas, mas, com a crise econômica, que atingiu o setor nos últimos anos, a tendência é que o número de demissões cresça gradativamente, afetando, além de motoristas e cobradores, equipes de manutenção, manobristas e despachantes, entre outros.

“A Prefeitura do Rio já comunicou oficialmente suas intenções de suspender a circulação das linhas da Zona Oeste da cidade, depois as da Zona Sul e, mais à frente, das intermunicipais. O objetivo seria abastecer o VLT com passageiros, mas isso, definitivamente, é irreal, pois esse modal não suporta o grande fluxo de pessoas, que os ônibus transportam diariamente. Nem tem agilidade para isso”, afirma o presidente do SINTRONAC, Rubens dos Santos Oliveira.

As empresas da base do SINTRONAC, que têm ônibus em circulação no Centro do Rio, são: Fagundes, com 147 veículos e as linhas 524T, 540D, 722D, 723B, 749D, 1721D, 7721D; Nossa Senhora do Amparo, 105 ônibus e as linhas 146D, 2146D, 2590R, 4146D, 543D, 578D, 579D, 590R; Coesa, 95 veículos e as linhas 545/2545, 4545, 535/2535, 426; Rio Ita (Itaboraí), 75 ônibus e as linhas 566D, MB17, 2925D, 1925D, 565D, 2926; Pendotiba, com 44 veículos e as linhas 770D, 771D, 1920D; Mauá, com 30 ônibus e as linhas 100D, 101D; e a Ingá, com 29 veículos e as linhas 1730D, 731, 725.

O Departamento Jurídico do SINTRONAC estuda entrar com duas ações judiciais, caso a Prefeitura do Rio mantenha a decisão de impedir a circulação dos ônibus intermunicipais no Centro da cidade, restringindo seus pontos finais à Rodoviária Novo Rio e aos arredores da Central do Brasil. A primeira será na Justiça do Trabalho, pelo impacto da medida na categoria, com as consequentes demissões em massa; a outra na Justiça do Estado pelo fato de a administração municipal não ter apresentado nenhum estudo do impacto ambiental, que resultaria da grande concentração de veículos pesados em apenas dois espaços urbanos, congestionando ainda mais as vias de acesso à capital e causando extremo desconforto para os usuários do transporte.

“Pelo menos 20 empresas de ônibus já faliram no estado do Rio de Janeiro, 14 só na capital. O número de demissões cresce a todo instante no setor. O poder público tem que repensar o sistema de transporte, mas de uma maneira que restabeleça seu equilíbrio e não que o degenere mais ainda. Além disso, a concentração de veículos pesados em dois pontos apenas irá agravar ainda mais o já caótico trânsito nas vias de acesso à cidade”, avalia Rubens Oliveira.