Uso de máscaras e álcool em gel por rodoviários deve ser obrigatório

O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) encaminhou, nesta segunda-feira (27/04), ofício às empresas de ônibus e às 13 prefeituras de sua base de atuação, exigindo a obrigatoriedade do uso, por parte dos motoristas e cobradores, de máscaras cirúrgicas e álcool em gel para proteção pessoal e dos passageiros. A entidade cobra das companhias o fornecimento dos equipamentos para os profissionais e à administração pública a fiscalização da implementação da medida, diante do agravamento da crise do coronavírus (Covid-19) em todo o estado.

“O sindicato já distribuiu 5 mil máscaras para os rodoviários, desde o início de março, mas ainda é muito pouco. Está na hora das empresas e do poder público fazerem sua parte”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

Neste final de semana, o Sintronac tomou conhecimento do que pode vir a ser o primeiro caso de infecção pelo Covid-19 por um rodoviário de sua base. Jorge Justino Campos, de 50 anos, mora em São Gonçalo, mas trabalha como motorista há 15 anos em uma empresa de ônibus de Niterói. No dia 12 de abril, ele apresentou sintomas da doença, como dores na garganta, cabeça e corpo, febre persistente entre 38 e 39 graus, perda de olfato e paladar, enjoo e falta de ar leve.

Justino teve o primeiro atendimento no Hospital Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo

Na manhã seguinte, foi até o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, onde ficou em isolamento durante um período, recebeu tratamento com analgésicos e voltou para casa, com a recomendação de ficar em isolamento. Segundo Justino, ele não fez o teste para a confirmação do Covid-19 porque, no hospital, afirmaram que só poderia ser realizado em sete dias. O rodoviário pretende voltar à unidade hospitalar para a realização do exame.

“Os sintomas são horríveis, o corpo todo dói e nem deitado há como você conseguir uma posição confortável. Até meu último dia de trabalho, 10 de abril, antes de aparecerem os sintomas, nenhum rodoviário da empresa estava usando máscara ou álcool gel. Na minha linha não temos, nos pontos finais, nem onde lavar as mãos, ou seja, ficamos totalmente desprotegidos para infecções, seja pelo coronavírus ou qualquer outra doença”, afirma o rodoviário.

Justino é casado, tem dois filhos e três netos. No entanto, mora apenas com a esposa, de 48 anos, que é hipertensa e sofre com bronquite e asma. Ele tem diabetes. Está isolado em um quarto no fundo de seu quintal, no bairro do Alcântara, São Gonçalo.

“Tenho muito medo que minha esposa pegue esse vírus, pois ela está na faixa de alto risco para a doença. Soube por esses dias que um outro colega de empresa também está com os sintomas. É preocupante”, diz ele.

Nesta segunda-feira (27/4) Justino fez o exame para detecção do Covid-19 na UPA do Pacheco, em São Gonçalo, e, após realizar exames, voltou para o isolamento domiciliar. Seu quadro de saúde não mudou em relação aos dias anteriores.