Sem diálogo com prefeituras, paralisação dos rodoviários está mantida para dia 26

A diretoria do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) comemora a conquista dos companheiros do Rio de Janeiro, que foram incluídos na lista de profissionais prioritários para vacinação contra o Covid-19, conforme anunciado pelo prefeito da capital, Eduardo Paes (DEM) nesta quinta-feira (22/04). No entanto, lamenta que, até agora, a categoria não tenha sido contemplada por medida similar nos municípios de sua área de atuação. Portanto, está mantida para o dia 26 de abril a paralisação dos ônibus nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá.

A Prefeitura carioca cumpriu, com a priorização da categoria para imunização, o determinado pelo Plano Nacional de Vacinação e Lei já sancionada no estado. Os ônibus são potenciais vetores de transmissão do coronavírus e, até esta quinta-feira, 51 rodoviários morreram em consequência da doença só na área de atuação do Sintronac.

Até esta quinta-feira, 51 rodoviários da base do Sintronac morreram em consequência do Covid-19

De acordo com o pesquisador Yuri Oliveira de Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os rodoviários formam a segunda categoria com maior probabilidade de contágio, perdendo apenas para os profissionais do setor de Saúde.

“Sem dúvidas, a saúde é a área mais afetada, pois esses profissionais estão na linha de frente no cuidado com os doentes. Porém, o setor de transporte é a segunda categoria com maior risco. Falamos de 60% a 65% de probabilidade de contágio quando é abordado o setor administrativo das empresas e de 71% para motoristas e cobradores”, afirma o pesquisador, que é membro do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ.

O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, destaca que, embora sejam enquadrados no grupo de categorias essenciais para prestação de serviços, os rodoviários estão sendo postos à margem da imunização em municípios importantes para o estado do Rio de Janeiro.

“São Paulo e Rio de Janeiro já incluíram os rodoviários no grupo prioritário. Como as cidades da Região Metropolitana, importante polo de desenvolvimento do estado, ainda não seguiram esse caminho? O impacto no quadro geral de vacinação não será grande”, indaga ele.

Levantamento do Sintronac junto às empresas de ônibus dos cinco municípios revela que a vacinação dos rodoviários não impactaria no quadro geral de imunização da população pelo pequeno número de doses necessárias para atender à categoria, de acordo com o universo populacional de cada cidade. Assim, em Niterói seriam necessárias 3.443 doses para os rodoviários de 12 empresas; em São Gonçalo, 7.147 profissionais em 14 viações; em Maricá, 1.226 em uma companhia; em Itaboraí, 263, também em uma empresa; e, em Tanguá, sete vacinas para os rodoviários de uma viação.

Dos municípios da área de atuação do Sintronac, apenas Niterói tem buscado um diálogo com a categoria. Nesta quinta-feira, o coordenador de Trabalho e Renda da Prefeitura, Brizola Neto, se reuniu com Rubens Oliveira, com o diretor do Fórum Intersindical do Leste Fluminense, José Juvino Filho, e com a secretária-geral do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo, Troca de Óleo, Lava Rápido e Loja de Conveniência de Niterói e Região (Sinpospetro), Renata Lucas, na sede do Sintronac, no Centro da cidade.

Brizola Neto esteve na sede do Sintronac com Rubens Oliveira, José Juvino, Renata Lucas e membros da Diretoria do Sindicato

Brizola Neto recebeu dos sindicalistas a solicitação para que os rodoviários sejam considerados grupo prioritário para vacinação na cidade e uma carta, que reivindica a inclusão de uma representação sindical no Gabinete de Crise, instaurado para fazer frente à pandemia do coronavírus.

“São os trabalhadores que estão na ponta da pandemia, tanto por sua exposição ao contágio, quanto por sua necessidade de atendimento na rede pública de Saúde. Portanto, ninguém melhor do que sua representação sindical para apoiar a municipalidade no planejamento de políticas para o enfrentamento deste mal, que já ceifou milhares de vida e sobrecarregou o sistema público em toda sua amplitude”, disse José Juvino.