Viação Acari é a 17ª empresa de ônibus fechada na capital em apenas seis anos

O Rio Ônibus informou, na tarde desta quarta-feira (28/04) o fechamento de mais uma empresa. Desde 2015, 16 outras encerraram atividades, sempre pelo mesmo motivo: sufocamento financeiro por falta de passageiros pagantes e carência de ajuda do Poder Público para operação do serviço essencial à sociedade. Desta vez, se despede das ruas a tradicional Viação Acari, que opera oito linhas na cidade, dentre as quais, 457 (Abolição X Copacabana), 650 (Engenho Novo X Mal Hermes) e 607 (Cascadura X Rio Comprido).

Dentro de aproximadamente 30 dias, quando a empresa terá cumprido o aviso prévio, 600 trabalhadores rodoviários entram para a lista de desempregados brasileiros. O setor de mobilidade urbana é um dos que mais emprega no país, e, desde o acirramento da crise financeira, vem sendo obrigado a reduzir seu quadro de colaboradores por impossibilidade de manter salários.

Ao completar um ano de mudanças de comportamento social, o Rio Ônibus acumula déficit de receita de R$1,3 bilhão. A média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,7 milhão. Ao longo do período, deixaram de ser transportados 600 milhões de passageiros na cidade.

“O transporte é atividade essencial para manutenção e retomada da economia. Mesmo diante do caos gerado pelo vírus da Covid-19, o setor não parou, e vem fazendo sua parte, encarando as incertezas e mantendo ativa a possibilidade de deslocamento da população. Porém, sem ajuda ou atendimento de nenhuma das esferas de Governo, congelamento de tarifas há quase 30 meses e a queda de 50% dos passageiros pagantes desde março do ano passado, empresas como a Viação Acari não conseguem se manter em atividade por absoluta falta de caixa. O que temos é um grande problema estrutural sistêmico que tende a levar outras empresas à mesma situação. É hora de dar vida ao debate amplo, envolvendo sociedade civil, Ministério Público, Judiciário e integrantes específicos dos poderes Executivo e Legislativo municipais”, explica Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Em 2020, além das luzes que se acenderam sobre as deficiências nas regras de custeio de operação e manutenção do transporte público, se observou o crescimento das viagens individuais em carros de aplicativos desregulamentados e do volume de vans irregulares, que além de não transportarem gratuidades, passaram o último ano imunes a multas por decisão da então gestão municipal. A recorrente falta de fiscalização permitiu que o sistema ilegal avançasse sobre a cidade e deixasse de ser paralelo, acabando com as propostas de planejamento urbano do município e instalando caos e total desequilíbrio ao sistema formal de transporte coletivo.

A falta de auxílios emergenciais dos governos, a fiscalização deficiente ao transporte clandestino e a queda na receita das empresas se somam a questões crônicas, dentre as quais o não ressarcimento pelas gratuidades (20% do total de pessoas transportadas); o congelamento da tarifa em R$4,05 (uma das mais baratas do país); as condições viárias e mobiliário urbano degradado; bem como a falta de investimentos em segurança pública, que resulta em vandalismo, incêndios, paralisações e sequestros de veículos por criminosos em diferentes pontos da cidade.

“O Sindicato das Empresas entende que há soluções viáveis para a recuperação do transporte por ônibus no Rio, bem como a retomada do patamar de qualidade ao serviço prestado ao cidadão. Todo o planejamento, estudos e necessidades são apresentadas, enviadas e debatidas constantemente com Prefeitura, na busca por um cenário em que empresas cariocas não sejam obrigadas a fechar as portas, demitir funcionários e deixar de atender passageiros”, revela Paulo Valente.